Tenho andado por veias e artérias furadas. Elas vazam fluidos pra todos os lados. E nós, células-tronco, somos jogadas pra lá e pra cá, num sem parar alucinante. Lá do alto. Um holofote e um barulho de bagunçar as idéias.
É o vigia.
Assim são meus dias em São Paulo. Assim são meus dias no mar.
Uma célula-tronco. Pra lá e pra cá.
Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá.
Existem varias células no meu organismo. Mas eu, ando ocupado com pensamentos mais profundos. Ando pensando no que a fora desse organismo. Já entendi o que há dentro.
Células... células.
Cada qual com sua função. Cada qual na sua existência. Pena eu estar ocupado com pensamentos mais profundos e não tenho tempo de ser célula.
Mas meu aparelho quebrou há muito tempo e ando sem grana pra comprar outro. Tenho andado por veias e artérias que andam vazando. E eu, célula-tronco. Vivo pra lá e pra cá. Vazia e oca... Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá.
Como milhares outras.
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