14/08/2007

Editorial 2° ed

"Diante do espelho não se deveria falar de inversão, mas de absoluta congruência".

Estas sábias palavras de Umberto Eco se encaixam perfeitamente ao "espírito" do Espelho.

Não se trata de inversão, mas de congruência. Não se trata de perversão, mas sim de êxtase da busca e da mutação.

O reconhecimento do dionisíaco, o afogamento do apolíneo (grande Nietzsche!). Um mergulho no sangue e no pus do nosso interior relapso, uma viagem em células neurais alcoolizadas.

Prosa vomitada e poesia sangrada. Imagens desconexas e figurativas de um mundo-espelho.

Sobre a imagem especular: "o plano perceptivo ou motor a interpreta corretamente, mas no plano da reflexão conceitual ainda não consegue separar de todo fenômeno físico das ilusões que este propicia, criando uma espécie de divergência entre percepção e juízo. Assim, usamos a imagem especular de modo certo, mas falamos a seu respeito de modo errado, como se esta fizesse aquilo que, efetivamente, nós a obrigamos fazer (ou seja, inverter-se).” – Umberto Eco

Bruno Bontempo

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